sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Uma estória de natal

luz_montanha

Ano 30, em algum lugar do jardim situado ao pé do Monte das Oliveiras, no vale do Cédron, em meio à madrugada…

Jesus, experiente teórico e praticante de filosofias orientais, aproveita o sono da maioria e afasta-se um pouco dos grupos que o acompanham para uma de suas habituais meditações.

Poucos minutos se passam e uma sensação composta de medo e alerta  tira Jesus de seu estado meditativo. Os animais silenciam. O vento cessa. Gradualmente Jesus é inundado por uma claridade sem origem perceptível. Apesar do inevitável temor, Jesus já relativamente familiarizado com tudo aquilo, consegue se acalmar e simplesmente aguarda.

“Saudações Emmanuel”…

Jesus, ajoelhado, em sinal de respeito e reverência ao dono daquela “voz”, simplesmente faz um leve movimento com a cabeça.

O “gigante”, velho conhecido de Jesus, direciona seu olhar quase felino para os olhos de Jesus e prossegue…

“Nada no universo é capaz de escapar de esquivar-se da relação de causa e efeito. Você, ao saber disso, sabe também que suas provocações em breve o alcançarão tão ou mais intensamente que o teor das mesmas”.

Jesus, expressando muita seriedade, voltou a consentir em silêncio.

“Estivemos observando o plano de alguns de seus companheiros e aliados. Apesar de apresentar um altíssimo grau de risco, concluímos que existe margem para que funcione e, portanto, talvez você sobreviva. Na medida do possível, tentaremos ajudá-los”.

Jesus desta vez rompe o silêncio e responde:

“Se eu sobreviver, quando me recuperar, terei que voltar ao oriente. Não sei se voltarei a vê-los nesta condição. Portanto, aproveito para expressar minha gratidão a todos vocês por terem estado presente até este momento”.

Coube ao “gigante” um gesto silencioso de profundo respeito para com Jesus. Mas logo o silêncio é rompido novamente…

“Emmanuel, o plano de seus companheiros foi cuidadosamente formulado de modo com que você venha a sobreviver. Uma vez bem sucedido, é possível que alguns fatos futuros se concretizem como consequência do sucesso desse plano. Fatos esses que estarão fora do alcance de nosso controle e que terão um impacto jamais imaginado por você na sua condição atual”.

“Concluímos ser de extrema importância informá-lo a respeito de tais fatos para que você possa refletir e analisar se realmente deseja levar o plano adiante. Mas caberá a você decidir se deseja ou não conhecer tais fatos”.

Jesus hesita e fica em silêncio por alguns minutos. O que o “gigante” quis dizer com “impacto jamais imaginado”? Parecia importante demais para Jesus ignorar. E, desta forma, e um pouco receoso, Jesus decide conhecer tais fatos…

“O principal fato responsável pelos eventos futuros será a sua sobrevivência ao que está por vir. Apesar de você não ter sido o primeiro a sobreviver a uma sentença de morte romana, suas palavras e atitudes em meio às pessoas comuns, ganharam peso para as autoridades locais e isso é um diferencial perante os sobreviventes anteriores”.

“Apesar de você sempre ter dito a ela, a seus irmãos e aos seus companheiros mais próximos que você não era o messias libertador das profecias, a maioria deles não desistirão dessa idéia tão facilmente e este fato, aliado aos anteriores, também será decisivo para que a futura criação de um personagem impactante”.

“Parte dos diferentes grupos que o acompanham será procurada e, em nome da sobrevivência, acabarão formando novos grupos que, com o tempo, passarão a gerar novas crenças e filosofias, inevitavelmente fundindo seus paradigmas culturais e religiosos com atitudes, gestos e palavras, pouco ou nada compreendidas, as quais testemunharam durante o tempo em que o acompanharam, Inclusive, sua sobrevivência à pena de morte romana passa a ser chamada de ressureição. Você teria de fato morrido e voltado do mundo dos mortos”.

“Vários desses grupos, isolados, com dificuldades de auto-sustentação, passarão a tomar todos os bens materiais de seus adeptos, justificando tal atitude ao anunciar que não precisarão de mais nada deste mundo, visto que logo você retornará para guiá-los novamente ao reino de seu pai.”

“Com a não concretização de seu retorno, o descontrole se torna inevitável. Em função disso surgem as primeiras hierarquias dentro desses grupos, vindo a ser os primeiros passos de geração de poder, ao mesmo tempo que esse poder estará cada vez mais vinculado à sua representação”.

“Tais grupos se dividem e se espalham cada vez mais, diversificando ainda mais crenças, pensamentos e filosofias que justifiquem suas existências. Neste ponto, apesar de tentativas futuras, o controle passa ser impossível.”

“Após vários anos de sua suposta ressureição, um dos perseguidores desses grupos, em meio a uma crise pessoal, muda sua postura, dizendo a todos que você apareceu a ele pedindo que passasse a ser seu discípulo e que levasse sua palavra a todos, sem exceção. Esse homem, devido à sua condição intelectual diferenciada, e à sua formação grega e judaica, tem uma nova idéia. Ele resolve vincular você a um velho personagem grego denominado Crestus. Tal personagem era ungido com o espírito de um ser superior único e magnânimo, criador de tudo o que existe. A partir desse momento você passa a ser o Crestus, ou o Cristo, um ser humano que recebeu o espírito de Deus. Um deus encarnado”.

“Enquanto um deus encarnado, sua morte passa a ter um propósito. Afinal, as pessoas perguntariam por que um deus teria se feito homem. Cristo daria sua vida, por amor, para livrar todos os homens de seus pecados. E você, tendo desaparecido, ou subido aos céus, continuaria a livrar os homens de seus pecados, desde que esses homens prometessem lealdade a você. Essa fórmula seria derradeira e devastadora no intuito de conseguir novos adeptos por parte do homem que o transformou em Cristo. Ela seria responsável pela criação de uma nova religião, que viria a se espalhar por uma grande parte do planeta: o Cristianismo”.

“Mesmo você jamais tendo registrado qualquer uma de suas palavras, uma infinidade de palavras são atribuídas a você. O que você teria dito e feito se tornariam palavras agrupadas em muitos livros e depois selecionadas de forma a servirem de método de controle e de eliminação de grupos cristãos distintos. A igreja, entidade centralizadora do Cristianismo, passa a usar suas supostas palavras para eliminar quem não as aceita”.

“Você se tornará o próprio Deus. E muitíssimas batalhas serão travadas em seu nome. Nenhuma guerra jamais superaria tantas mortes quanto as causadas em seu nome. Todos os que virrão a se enfrentar morrerão convictos que estarão matando para você e também de que você os acolherá após suas mortes no reino dos céus para que possam viver para sempre”.

Nesse momento o corpo de Jesus reage de forma intensa. O estresse chega a níveis muito acima do suportado normalmente por um ser humano. E seus poros e glândulas sudoríferas são inundados por sangue.

O “gigante” se aproxima ainda mais de Jesus e passa a acalmá-lo gradualmente. Jesus logo deixa de suar sangue. O “gigante” aguarda pacientemente seu restabelecimento. Jesus dá o aviso que está tudo sob controle…

“Pai, obrigado. Ao menos meu corpo está bem”.

O “gigante” volta a questioná-lo…

“Emmanuel, ao saber que esses fatos podem de fato se concretizarem, você seguirá com o plano adiante”?

Jesus não demora a responder…

“Não posso suportar tal idéia. Como concordar com a morte de todas essas pessoas? Como concordar em ser um Deus? Como posso concordar na transformação de um judeu nesse tal Cristo que livra os homens de seus pecados? Eu nem mesmo sei o que é isso. Como isso tudo foi acontecer? Eu não posso concordar. Não levarei o plano adiante. Não posso sobreviver de forma alguma. Pai, obrigado por me falar sobre tais coisas. Devo avisar a meus companheiros para abandorem o plano e que estou por conta própria. Creio que não nos veremos mais. Não nesta condição…”.

Jesus então sai em direção ao grupo mais próximo. Nesse momento o “gigante” interrompe seus planos. Jesus perde a consciência por alguns instantes. Ao acordar, estranha o fato de ter dormido durante sua meditação e se levanta sem qualquer lembrança do ocorrido e sem uma gota de sangue sequer sobre sua pele. Ao se aproximar do grupo mais próximo, uma jovem lhe pergunta..

“Rabí, o que houve? Judas já retornou com os guardas? Devemos seguir com os planos?

Jesus, expressando um tom bem mais sério que o normal, acalma a jovem…

“Minha querida, por que mudaríamos os planos? Vamos seguir com o planejado e esperar que todos nós possamos sobreviver”…

domingo, 19 de dezembro de 2010

Assassinos mais que bem-vindos

plutao_caronteTodos os que puderam ir na escola aprenderam que nosso sistema solar tinha 9 planetas. Mas por acaso algum professor chegou a dizer que, antes de 2005, não havia ainda uma definição sobre o que era um planeta?

Foi devido a um achado do pesquisador do CALLTECH (Instituto de Tecnologia da Califórnia), Mike Brown, que a União Astronômica Internacional se viu forçada a estabelecer a definição de PLANETA.

O achado determinante foi a descoberta de ÉRIS, o primeiro objeto, além da órbita de Netuno, mais precisamente no CINTURÃO DE KUIPER, com dimensões maiores que as de Plutão, até então conhecido como o menor planeta de nosso sistema solar.

Com isso, em 2006, um astro morre e outro nasce. Morre Plutão, oficialmente rebaixado e nasce Mike Brown, escolhido pela revista TIME umas das 100 pessoas mais influentes daquele ano.

Plutão assassinado? Chega a ser ridícula essa dramatização por parte de alguns. Plutão apenas foi devidamente colocado em seu lugar.

Outra coisa que temos que nos perguntar: fora do meio científico, alguém realmente se preocupa com o que Plutão é de fato? Tenho quase certeza que nossos livros estudantis poderiam continuar afirmando por muitos anos que Plutão é o nono planeta do sistema solar sem qualquer incômodo por parte de nossa população.

Mas então por que estou falando sobre o rebaixamento de Plutão? Apenas porque ele foi a vítima de um bom exemplo.

Mesmo no meio científico, quando uma informação anterior é substituída por uma mais adequada à realidade, há muita resistência. Justamente onde não deveria haver nenhuma. Imagine qual a intensidade do nosso grau de resistência aqui fora do meio científico, em nossas casas, famílias, centros educacionais e organizações religiosas.

Nossa única forma de “evolução positiva” (transformação e adaptação que garanta nossa continuidade e melhoria, assim como a do planeta como um todo) está estreitamente ligada à nossa capacidade de melhorar nossa observação, percepção e compreensão da realidade (na qual estamos incluídos individual e coletivamente), de reconhecer informações, valores e conceitos falhos em relação à constatação de novos fatos e do quanto somos realmente capazes de substituí-los individual e coletivamente no meio em que vivemos.

Muitos fatores podem nos destruir. Fenômenos naturais e astronômicos de dimensões muito além da nossa capacidade de adaptação podem nos destruir a qualquer momento. Sem a flexibilidade de substituir paradigmas rigidamente estabelecidos por paradigmas flexíveis e temporais, jamais conseguiremos dar o próximo passo em relação à nossa melhoria e continuidade. Por isso o “assassinato” de Plutão é um ótimo exemplo. Quantas coisas, as quais na verdade não tem nenhum vínculo com a realidade estamos deixando de “assassinar” (substituir) em nós mesmos ou em nossa cultura apenas pela capacidade que as mesmas tem em preencher nossas carências?

Para concluir, voltando especificamente ao rebaixamento de Plutão, não devemos esquecer que ainda estamos conhecendo nosso sistema solar, a galáxia e o espaço profundo ao nosso redor. Além do sistema solar, neste momento, mesmo sem a capacidade de observá-los diretamente, conhecemos a existência de 505 objetos que definimos atualmente como PLANETAS. Ainda gatinhamos nesse sentido. Portanto, tendo em vista as incontáveis coisas estranhas e desconhecidas com as quais acredito que ainda iremos nos deparar universo à fora, tanto a definição de PLANETA como todas as demais estão seriamente ameaçadas pela verdade, desde que esta continue sendo nosso objeto de desejo e motivação.

 

domingo, 12 de dezembro de 2010

Kyoto–Morte Anunciada

Combustivel_FossilA conferência sobre mudanças climáticas em Cancún, concluída neste sábado, superou as baixas expectativas e se tornou um "sucesso surpreendente", segundo análise da revista The Economist.

Sucesso surpreendente? Podemos então ficar tranquilos e felizes? Nosso planeta está a salvo? Vamos tentar entender melhor o que a revista The Economist está tentando nos dizer.

A revista diz que os acordos não-vinculantes assinados em Cancún trazem "avanços", ainda que “modestos”. Modestos? Dispomos de tempo para modéstia quando se trata da utilização de combustíveis fósseis?

A revista também disse que classificou Cancún como um sucesso devido às baixas expectativas geradas pelo fracasso de Copenhague em 2009. Então… O que isso quer dizer?

Por fim a revista conclui dizendo que os resultados de Cancún não são nem extraordinários e nem mesmo suficiente para a redução do aquecimento global, não passando de um “início de mudança”.

Oras, afinal, como a COP-16 pode ter sido um sucesso se, na prática, não foi suficiente para redução do aquecimento global? (Clique aqui para saber quais as medidas adotadas na COP-16)

Para entendermos um pouco melhor de com o que estamos lidando, os poucos leitores deste blog podem acessar a página Protocolo de Kyoto.

Emissoes

Curiosidade…

Os países chamado “emergentes” estão isento de reduções. Estão entre eles a China, o Brasil e a Índia. E o mais curioso: a China atualmente se tornou o maior poluidor mundial. Alguém por favor me explique: Como pretendem salvar o planeta isentando de reduções o maior poluidor mundial?

O segundo maior poluidor mundial, os Estados Unidos, nunca chegou a ratificar o Protocolo de Kyoto. Como pretendem salvar o planeta isentando de reduções o primeiro e o segundo maiores poluidores mundiais?

Na prática…

É impressionante como é possível constatar que a grande maioria dos países envolvidos no problema da emissão de poluentes não possuem nem capacidade nem mesmo vontade de sair do problema. E um dos grandes problemas disso é que nenhum deles ainda consegue ver a si mesmo afetado pelo problema.

Outro fator que impressiona e assusta que é que tratar de percentuais de reduções na emissão dos poluentes nunca irá resolver coisa alguma e muito menos salvar o planeta de grandes danos. Isso poderia no máximo, retardar uma crise mundial de enormes proporções.

Mas esse quadro de crise mundial será mesmo retardado? Seria retardado se hoje 40% das emissões já tivessem sido cortadas tendo como base o ano de 1990. Mas nem mesmo 5% foi cortado. E, seguindo as tendências atuais, 40% de redução jamais será conseguido.

Atrasar o problema e deixá-lo para gerações futuras é uma coisa. Resolvê-lo é outra bem diferente. Por enquanto a única coisa que estamos fazendo é a segunda opção: deixá-lo para as gerações futuras. Mas e resolvê-lo? Seríamos capazes?

A única forma de resolver o problema é a mudança de paradigma. Neste caso em específico, trata-se da mudança total das matrizes energéticas e da mentalidade de produção e consumo. Esquecer completamente os combustíveis fósseis e passar a utilizar as fontes de energias limpas, tais como a energia solar, o vento e o hidrogênio. Seremos capazes disso? Continuaremos a classificar tudo isso como sendo “trabalhoso demais”?

A perspectiva não é nada boa. Kyoto e COP-16 não passam de ilusão. E nós por aqui, ao mesmo tempo que sabemos que continuar utilizando combustíveis fósseis, mesmo que em escala reduzida, é o mesmo que assassinar milhões de formas de vida hoje e amanhã, estamos “orgulhosos” com a descoberta do Pré-Sal.

Infelizmente quaisquer que sejam os discursos política e ambientalmente corretos, quase todos continuam sendo facilmente destruídos pelo brilho nos olhos que surge com o termo “barril de petróleo”.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bactéria Extraterrestre

AlienBacteriaFoi um marketing e tanto. A NASA conseguiu criar uma intensa expectativa nos meios jornalísticos e científicos.

A princípio falou-se que a agência espacial americana teria feito uma nova descoberta sobre evidência de vida extraterrestre. Mas logo as coisas foram ficando mais claras:

Uma descoberta das astrobiologia que terá impacto na busca de vida fora da Terra.

Qual seria a descoberta? Uma bactéria. Onde? Aqui mesmo, em nosso planeta, mais precisamente num lago da Califórnia.

Mas então, por que o alarde? Por que tanto marketing sobre algo contra o qual lutamos diariamente ao comprar amoxicilina sem receita médica? E o que uma bactéria encontrada num lago da Califórnia teria a ver com extraterrestres verdinhos?

Forma de Vida Desconhecida

A bactéria encontrada no lago da Califórnia indica a existência de uma forma de vida até então desconhecida. Ou seja, vida que, para nós, não poderia ser vida.

Até o momento acreditava-se que todas as formas de vida terrestres processavam apenas os elementos a seguir: carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo. A bactéria encontrada substitui o fósforo pelo venenoso arsênio, que, em tese, não deveria fazer parte da química da vida como a conhecemos.

Em relação ao que entendíamos por vida (vale lembrar que ainda não chegamos a um consenso sobre esse conceito), surge então a primeira exceção à regra. Se não havíamos definido vida ainda de forma definitiva, essa definição agora, momentaneamente, fica mais difícil.

AstrobiologiaA astrobiologia, ou “exobiologia”, que estuda a origem, evolução, distribuição e o futuro da vida no universo – isso inclui a nós – dá um passo a mais para o aumento da possibilidade de encontrar vida fora da Terra.

O que procurar?

Temos hoje vários desafios que a astrobiologia precisa superar. Um dos principais é justamente saber o que procurar no espaço. Como assim saber o que procurar? Vida é claro! Mas a pergunta que vem a seguir é: que tipo de vida?

Iniciamos nossas buscas procurando sinais de existência de vida semelhante à nossa. E isso não poderia ser diferente pois a vida terrestre, baseada até hoje naqueles seis elementos principais citados anteriormente, é a única que conhecemos e o único referencial de análise e comparação que conhecíamos.

Aí é que entra a importância da descoberta dessa nova forma de vida aqui mesmo na Terra. Com isso percebemos que ainda há muito a descobrir sobre a biosfera oculta em nosso planeta. A vida parece ter se originado não de uma única forma e sim de muitas maneiras diferentes, seguindo trilhas independentes.

Quanto mais abrirmos os olhos para os diferentes arranjos que a vida adotou mais chances teremos também de conseguir identificar evidências de formas de vida extraterrestres quando elas passarem diante de nossos olhos nos exoplanetas já descobertos e ainda por descobrir, além de melhorarmos nossa compreensão de onde realmente viemos.

 

domingo, 28 de novembro de 2010

O Papa surpreende …

BentoXVIBento XVI considera errado afirmar que o papa é infalível, pois, segundo ele, mesmo o hierarca máximo da Igreja Católica também se equivoca, declaração que se soma à justificativa que fez do uso de preservativos "em alguns casos".

Quem diria? O representante de Cristo na Terra pode se equivocar. Particularmente considero essa declaração um salto quântico na humanização da Igreja.

O uso da camisinha, sempre historicamente condenado pela igreja, agora passa a ser aceito em “alguns casos”. O que houve? Por que a mudança de postura?

Nesse caso sou obrigado a questionar… Se o Papa é o Cristo na Terra, quem é que muda de opinião? O Papa ou o próprio Cristo? A moral de Deus seria então relativa e passível de mudanças ao longo do tempo?

Por outro lado, o Papa está entrando em conflito com uma resolução da Igreja, oficializada no Concílio Vaticano I: a infalibilidade do Papa.

A infalibilidade papal é o dogma da teologia católica, a que afirma que o Papa em comunhão com o Sagrado Magistério, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), está sempre correto. Isto porque acredita-se que, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro. Mais informações: Wikipédia.

E então? Afinal, o Papa é ou não infalível?

UltimoLivroPapaEm seu novo livro, Light of the World: The Pope, The Church and The Signs Of The Times (cujo título poderia ser um pouco mais humilde), essa pergunta é respondida da seguinte forma:

O conceito da infalibilidade do Papa foi desenvolvido ao longo dos séculos. Sob certas condições e circunstâncias. O Papa pode tomar decisões vinculadoras através das quais fica claro o que é ou não fé. Isto não quer dizer que tudo o diz que é infalível.

Mais trechos do livro “A Luz no Mundo” podem ser lidas aqui.

Para justificar a posição polêmica em que o Papa colocou o Vaticano, este justificou a declaração do Papa da seguinte forma:

O uso da camisinha é um pecado menor do que a transmissão do vírus da Aids.

Infelizmente o vaticano tentou adaptar as palavras do Papa insistindo em manter o uso da camisinha dentro do rol dos pecados. Ou seja, já que você vai pecar, então cometa o pecado mais leve. A multa é menor.

Eliminando qualquer possibilidade do Papa ter contrariado a igreja, ou ainda do Papa ser falível, Dom Odio Scherer, Arcebispo de São Paulo, disse o seguinte:

Quem está dizendo que a Igreja mudou está dizendo uma mentira. O Papa não mudou a posição moral da Igreja com relação ao uso de preservativo. A posição da Igreja é pela valorização da sexualidade e pela humanização da sexualidade. Por isso, a posição da Igreja é contrária à banalização da sexualidade.

Enfim, nem mesmo quando o próprio Papa admite cometer erros, seus “subordinados”, nos diferentes níveis, não aceitam isso e tratam logo de “adaptar” suas palavras. Isso tem suas razões para acontecer mas aí a discussão vai muito longe.

Bem, para dar mais subsídios aos poucos leitores deste blog, a respeito da infalibilidade de um Papa, resolvi relatar alguns fatos históricos sobre o papado numa página deste blog, de modo com que cada um possa tirar suas próprias conclusões sobre essa questão.

Os fatos históricos sobre o papado estão relatados na página Papa – Um Pouco de História. A quem se interessar, eu peço que só leia se tiver um bom estômago. Boa leitura.

domingo, 21 de novembro de 2010

Deus é brasileiro e se abstém na ONU

Lula_AhmadinejadDeclaramos oficialmente nas Organizações das Nações Unidas que não nos preocupamos com apedrejamentos., chibatadas, amputações, execuções de adolescentes e estrangulamentos.

Não era novidade. Mas agora é oficial: o Brasil se absteve de votar na ONU uma resolução sobre as violações aos direitos humanos no Irã.

SakinehSakineh Mohammadi, presa no Irã desde 2006 por ter sido acusada de manter relações sexuais com dois homens após o assassinato do marido. foi condenada a 99 chicotadas na frente de seu filho e depois condenada à morte por apedrejamento ou lapidação. Mas agora eu e você, brasileiros, não nos importamos com esse tipo de coisa.

Além disso, eu e você, brasileiros, estamos deixando bem claro ao mundo todo que não nos importamos com a tortura, com a alta incidência de aplicações de pena de morte, com a violência contra a mulher e nem mesmo com a perseguição a minorias étnicas.

Não se esqueça disso quando estiver viajando por qualquer um dos 80 países que votaram e aprovaram a resolução na ONU.

AhmadinejadTalvez, com isso, a partir de agora, tanto o Irã quantos os demais países que costumam praticar normalmente apedrejamentos., chibatadas, amputações, execuções de adolescentes e estrangulamentos, todos eles possam ter mais um ótimo argumento para perpetuarem tais práticas:

Se Deus é brasileiro e o Brasil nos defendeu na ONU, “Ele” está dizendo que estamos no caminho certo…

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Universo Órfão

OrfaosVocê consegue olhar para as estrelas e não pensar em “Deus”? Qual a sensação de pensar num universo sem propósito, gerado ao mero acaso? Que tipo de sentimento surge ao pensarmos que tudo que já existiu, existe e ainda existirá não passa do resultado de um mero acaso? Definitivamente não são as sensações e sentimentos que nossa espécie mais aprecia. Mas…

Em sua mais recente obra, The Grand Design, Stephen Hawking afirma que não é preciso um Deus para criar o universo, pois o Big Bang, a grande “explosão” (que não tem relação com nosso conceito mais conhecido de explosão) a qual teria originado o universo, seria uma consequência das leis da física, conforme as palavras do professor de Física da Matéria Condensada da Universidade Autônoma de Barcelona David Jou:

GrandDesignO fato de que nosso Universo pareça milagrosamente ajustado em suas leis físicas, para que possa haver vida, não seria uma demonstração conclusiva de que foi criado por Deus com a intenção de que a vida exista, mas um resultado do acaso.

É óbvio que para a discussão deste tema nem mesmo uma vida inteira seria suficiente e, apesar de muitos de nós já possuírem suas “certezas” sobre Deus e o Universo”, a verdade é que essas questões atormentam nossa espécie desde sempre. E continuará atormentando, ao menos àqueles que não têm certeza.

De fato o Big Bang é consequência natural das leis da física, assim como tudo que veio a existir como consequência natural do Big Bang. Todo o universo parece funcionar conforme as mesmas leis. Podemos chamar também as leis da física de “leis da natureza”, as quais englobam todas as equações possíveis dentro da estrutura do universo.

EquacoesTudo que nossa espécie vem fazendo desde o início, de uma maneira muito generalizada, é descobrir e buscar compreender as leis naturais contidas em todos as coisas. Simplificando mais ainda, trata-se das relações de causa e efeito.

Todo e qualquer tipo de sistema de aprendizado sobre qualquer realidade contida no universo só é possível devido a uma propriedade fundamental das leis da natureza: a imutabilidade. Tais leis, ou equações, nunca mudaram desde o início do universo e, teoricamente, nunca mudarão enquanto o universo existir.

Uma vez que as próprias leis naturais, desde o “início” (difícil precisar o que seria realmente o início) gerando movimento contínuo de causa e efeito, configuram o “motor” do universo, aparentemente auto-suficiente, onde entraria um Deus nessa estória toda?

Talvez eu devesse fazer perguntas as quais tivéssemos condições reais de respondê-las, apesar de muitos de nós terem adotado algumas “certezas” sobre isso.

Mas, mesmo assim, quando penso no assunto, sempre fico com uma pergunta engasgada: uma vez que, desde o “início”, foram as leis naturais que foram moldando o universo até os dias de hoje, aparentemente, o universo já nasceu com elas. Portanto, de onde elas vem e que processo ou quais processos as “fixaram” do jeito que são e não de qualquer outro?

DNA_UniversoPoderíamos considerar as leis naturais como sendo o DNA deste universo? Seu código genético? Creio que no momento pode ser uma associação aceitável. Mas … DNA? Código genético? E de quem ou do que o universo teria herdado tais “informações”? De outro universo anterior? De um universo coexistente? De um universo “pai” e/ou “mãe”? De dois universos?

De qualquer forma sempre caímos no mesmo ponto crítico: e o primeiro universo? Quem ou o quê o criou? E quem ou o que teria criado o primeiro criador?

Por isso tudo, se conseguirmos apenas descobrir mais ou menos como funciona a natureza deste universo e, com isso, melhorar nossa qualidade de vida e a das demais espécies, já estaremos realizando um verdadeiro “milagre divino”…

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Planeta Terra – Um grão de areia geocêntrico

TerrasOs dados mostram que a nossa galáxia, com suas cerca de 200 bilhões de estrelas, possui cerca de 46 bilhões de planetas do tamanho da Terra.

Do centro do universo à mera poeira da galáxia em apenas 1.900 anos! Será mesmo?

Após 5 anos de estudo, a NASA nos traz algumas informações importantes relacionadas ao nosso planeta:


GraosDeAreia
  • Nossa galáxia, a Via-Láctea, com aproximadamente 200 bilhões de estrelas ou sóis, contém cerca bilhões de planetas semelhantes à Terra;
  • Planetas pequenos são muito mais comuns do que se imaginava e são predominantes na Via Láctea;
  • Aproximadamente 1/4 das estrelas similares ao nosso Sol da nossa galáxia hospedam planetas como a Terra;
  • Os planetas de tamanho próximo à Terra são, na nossa galáxia, como grãos de areia na praia: estão por toda a parte;
  • Os dados mostram que a nossa galáxia, com suas cerca de 200 bilhões de estrelas, possui cerca de 46 bilhões de planetas do tamanho da Terra.

É importante destacar ainda que a pesquisa não inclui planetas nas zonas habitáveis e sim, tendo em vista a proximidade das estrelas que orbitam, apenas planetas em áreas consideradas muito quentes para a vida como a conhecemos.

Com isso, próximas pesquisas poderão mostrar que o número potencial de “Terras” pode superar e muito o de 46 bilhões.

Estraga Prazeres

Não deve ser fácil para algumas pessoas saber que nosso planeta não é tão especial e único assim como se pensava ou como muitos gostam de pensar. A NASA realmente é uma pedra no sapato de muitos. E por isso esses muitos vão continuar ignorando as novas descobertas sobre o lugar que ocupamos no universo.

Modelo_GeocentricoA teoria do universo geocêntrico, onde a Terra era o centro do universo, foi compilada por Ptolomeu por volta de 100 d.C. e, por mais incrível que possa parecer ela ainda determina o modo de pensar de muitíssimos de nós ainda hoje.

Para diversas religiões, em destaque para o cristianismo, a Terra, além de ser o centro do universo, é a única coisa no universo. A mensagem subliminar passada a seus adeptos é exatamente essa e continuará sendo por muito tempo, visto que suas bases dogmáticas não teriam nenhuma sustentação se vistas e estudadas sob um prisma universal ao invés de exclusivamente terrestre.

A influência desse tipo de visão está presente em todos nós e determina, de forma inconsciente, nossa visão sobre o mundo e nosso papel dentro dele. Por mais que as informações cheguem até nós, elas parecem ricochetear como uma pedra lançada num lago. Basta olhar para aquilo que pensamos, dizemos e fazemos. Basta examinar nossas ações de forma macro para ver que, na prática, o ser humano ainda acredita que está no centro do universo.

Infelizmente esse tipo de visão insana não é mantida por acaso. Ela é a única que atende a necessidade e interesses dos poucos que lucram ao redor do globo. Estar no centro do universo, ser especial, único, é apenas mais uma forma de pensar dentre muitas outras que inseriram em você e da qual você nunca perguntou de onde veio…

 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Carta Aberta a Dilma Rousseff

Dilma_Rousseff

Prezada V. Ex.ª, antes de mais nada, meus PARABÉNS pela conquista histórica ao ter se tornado a primeira mulher presidente da república.

Não tenho idéia do peso de uma conquista desse porte mas fico torcendo para que V. Ex.ª tenha adquirido, ao longo de sua trajetória, força suficiente para carregá-la até o “fim”.

Como costuma dizer um “conhecido” meu, “every body lies”. Sou obrigado a concordar e ainda a complementar: todo mundo mente, e muito. Por causa disso, só me resta torcer para que V. Ex.ª não tenha feito isso durante sua campanha. E, caso não o tenha feito, torcer também para que não comece agora.

Eu, assim como aproximadamente 40 milhões de brasileiros que não votaram em V. Ex.ª, estamos torcendo para que tudo que V. Ex.ª disse no seu pronunciamento de vitória sobre democracia, liberdade de imprensa e liberdade de religião e cultos seja, além da mais pura verdade intencional, se torne também a mais pura realidade concretizada num futuro breve.

Além disso, tenho mais alguns poucos pedidos que gostaria de fazer publicamente à V. Ex.ª através desta “carta aberta”.

Inclua também na lista de V. Ex.ª a liberdade não-religiosa e a liberdade a culto nenhum. A liberdade de poder não fazer parte de nenhuma religião e de nenhum culto é tão importante quanto a de fazer. Não podemos vir a ser discriminados pelo fato de não nos enquadrarmos em nenhuma das religiões existentes e predominantes em nosso país. Devemos continuar livres para podermos pensar livremente.

Por favor V. Ex.ª, não cometa o erro do homem que a colocou no poder.

Não sei se foi a trajetória de um torneiro mecânico até chegar a ser um estadista respeitado mundialmente que tenha mexido demais com sua mente.

Não sei se foi o altíssimo índice de popularidade que pode ter causado a ele a sensação de ser um semi-deus ou memso um homem escolhido por “Ele” para salvar o Brasil.

Não sei.

O que sei é que hoje acredita que não erra. Que não comete mais falhas. Que não avalia de forma errônea alguma situação. Ele tem mesmo certeza disso. É uma pena que a presidência tenha feito isso com ele.

Por favor V. Ex.ª, não cometa o mesmo erro.

Infelizmente Lula provou isso mais uma vez, justamente no dia da eleição de V. Ex.ª, ao dizer que é uma “palhaçada” o que estão tentando fazer com o Tiririca. Com isso ficou claro que ele perdeu alguma noções básicas.

O que estariam tentando fazer com o Tiririca? Que eu saiba apenas tentando verificar se de fato ele sabe ler e escrever. Então isso seria uma “palhaçada”? Segundo Lula então estaria certo um candidato analfabeto assumir um cargo público com a responsabilidade de elaborar projetos de melhorias sociais?

E quanto à “palhaçada” feita por Tiririca ao ter apresentado aos órgãos eleitorais uma declaração falsa atestando sua alfabetização? Segundo Lula é assim que devem agir os futuros políticos em nosso país?

Por favor V. Ex.ª, não cometa o mesmo erro.

Eu e mais 40 milhões de eleitores que não votaram em V. Ex.ª estaremos de olho. Por favor não brinque com a popularidade. Não chegue a acreditar que V. Ex.ª estará isenta de falhas assim como seu padrinho eleitoral. Cuidado com os deslizes. Afinal, a popularidade de V. Ex.ª não se mostrou tão mais alta assim do que a de seu concorrente.

Lembre-se também que, em apenas alguns meses, sem Lula implorando a seus discípulos, a candidata do Partido Verde conseguiu praticamente 50% do número de eleitores que elegeram V. Ex.ª. Não seria muito inteligente ignorar isso.

Boa sorte para V. Ex.ª e para todos nós.

sábado, 30 de outubro de 2010

Até tu Obama?

AteTuObamaDecepção. Por essa eu não esperava. Mais um erro meu. Deveria esperar.

Diz Obama: "Pacotes vindos do Iêmen representam AMEAÇA TERRORISTA REAL".

As suspeitam recaíram sobre a Al Qaeda.

Já vi esse filme?

Diz Obama: "Sabemos que a Al Qaeda na península arábica continua planejando ataques contra nossa terra e nosso povo. Os agentes de combate ao terrorismo no nosso país estão levando o assunto muito a sério e estão tomando as medidas necessárias".

Claro. Como poderia ser diferente?

E com isso os EUA reforçam as medidas contra o terrorismo em todo o país. E é justamente essa "resposta" de Obama a mais essas tentativas de atentado a principal razão de mais essa encenação acontecer.

O motivo? Mais uma vez, as eleições. Desta vez quando o governo democrata norte americano está prestes a perder a maioria no congresso.

Exatamente a mesma receita de bolo foi utilizada antes pelo governo republicano de Bush filho. E a receita do terrorismo, do medo e da "resposta à altura" deram certo. Bush não só teve sua eleição fraudulenta oficializada automaticamente como até mesmo conseguiu um segundo mandato.

O que é decepcionante pra mim é Obama estar tentando utilizar a mesma receita de bolo. Decepcionante e inesperado.

Só que desta vez creio que ao tiro sairá pela culatra e quem irá se beneficiar de tudo isso será nada mais nada menos que a figura medonha de Sarah Palin.

O futuro dos EUA volta a escurecer...

domingo, 24 de outubro de 2010

Liberdade Religiosa e Intelectual

Ser_Humano_AtualNão me lembro de uma eleição com tamanha influência religiosa como esta, o que me leva frequentemente a me perguntar se o Brasil é ou não de fato um país laico.

Se estamos num país laico, por que então um de nossos candidatos a presidente da república cedeu às pressões de grupos religiosos ao publicar uma carta aberta contendo as concessões morais, éticas e religiosas que resolveu fazer caso seja eleita?

Se a constituição oficializa o laicismo do Brasil, na prática estamos mudando essa característica, pois, pela primeira vez, cedemos a pressões religiosas deixando, com isso, a religião começar a influenciar de fato na maneira como o país será governado.

Estamos constatando um regresso, uma volta ao passado, escolhendo uma forma de pensar mais primitiva e em direção a revivermos o obscurantismo histórico pelo qual várias nações já passaram e outras continuam exercitando. Uma pena.

Sem dúvida, a liberdade, em todos os aspectos e segmentos que compõem tanto um indivíduo quanto uma sociedade, é o bem mais valioso que se pode alcançar. Mas esse bem valiosíssimo não se conquista facilmente pois, ao mesmo tempo que é algo a ser alcançado, é também consequência de investimentos prolongados em vários setores de uma sociedade.

Numa sociedade avançada e, por consequência, livre, são fatores essenciais dessa condição a liberdade religiosa e intelectual do indivíduo. Numa sociedade como essa, crer em algo preestabelecido é aceitável. A identificação individual com uma das religiões é totalmente aceitável. Já a imposição de uma identificação individual ou coletiva com um dos padrões religiosos existentes é totalmente inaceitável.

Uma sociedade avançada possui o conhecimento necessário dos processos vigentes responsáveis pelo bem-estar e melhoria da mesma, assim como o conhecimento dos processos históricos e culturais que os levaram a resolver de fato seus problemas básicos.

Com esse conhecimento conquistaram a capacidade de diferenciar, assim como de valorizar, os princípios e mecanismos que, na prática, geraram qualidade de vida de teorias e crenças que apenas os colocavam numa situação de dependência de poderes sobrenaturais teoricamente superiores.

Aprenderam que, na prática, tais poderes sobrenaturais teoricamente superiores, causavam apenas a segregação e a perda da noção do coletivo. Por isso respeitam entre si indivíduos com acreditam em coisas diferentes, pois não colocam qualquer crença num patamar mais importante do que suas conquistas reais.

Uma sociedade avançada, livre, e não perfeita, jamais voltará a abrir mão da sua total liberdade individual e coletiva de observar, analisar e questionar qualquer coisa à sua volta pois aprendeu que sem isso estarão condenados à estagnação e, com o tempo, ao desaparecimento.

Nunca antes na história deste país se pensou a médio e longo prazos. E continua não se pensando. Não há a menor evidência da formação e implantação de qualquer plano diferenciado de uma instrução adequada e diferenciada. E, para complementar, agora passa a existir a influência religiosa nas futuras formas de governo.

Ao contrário de uma sociedade livre, avançada, estamos invertendo as coisas ao dar mais prioridade a crenças do que a mecanismos e valores que na prática possam gerar conquistas reais. O caminho à nossa frente mostra-se muito perigoso e arriscado. Mas como olhar para frente e enxergar o resultado do que estamos plantando se não se pensa a médio e longo prazos?

Talvez uma das coisas mais duras de se constatar é que somos nós mesmos que queremos isso. Não sou cristão e muito menos religioso mas talvez aquela frase extremamente conhecida e amplamente divulgada até hoje nunca tenha feito tanto sentido: Pai, perdoa-os pois não sabem o que fazem.

Mas eis o problema: o universo parece não ouvir quem dele não se lembra…


Sugiro também a leitura do post Campanha OUT! no blog Visão Alienígena.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Os mineiros do Chile.

CHILE-MINAO mundo todo torceu para o bem-sucedido resgate aos que ficaram conhecidos como “Los Mineros de Chile”. Sem dúvida um momento histórico. Mas o que esse momento nos diz?

Primeiramente parabéns ao presidente chileno, Sr. Sebastian Piñera, pelo modo com que conduziu a operação de resgate. Como um empresário muito bem sucedido, soube lidar com o fato de modo a prever suas consequências a curto, médio e longo prazos.

O presidente sabia que sua popularidade não estava nada bem. Sabia também que a empresa mineradora, a San Esteban, estava praticamente falida, com vários de seus 300 funcionários sem receber havia tempos e sabia que o mundo estava de olho nos mineiros soterrados.

Baixa popularidade? Talvez os mineiros soterrados fossem sua melhor chance de reverter esse quadro durante todo seu governo. Mas, para isso, não poderiam haver falhas. Tudo teria quer ser perfeito, independente de quanto custasse.

A quem recorrer então? À própria empresa mineradora? Nem pensar. Ela não teve recursos nem mesmo para escavar outras entradas e saídas para a mina de cobre onde os mineiros estavam trabalhando quando foram soterrados - uma mina, seja ela de cobrem de ouro ou de gás, não poderia jamais ter apenas uma única entrada e uma única saída.

O custo total da operação de resgate chegou próximo aos 30 milhões de dólares. Se dependesse da San Esteban os mineiros já estavam mortos. Piñera sabia disso.

O presidente teria que recorrer então ao histórico desse tipo de desastre. E o mundo estava cheio deles. Ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia adotada para salvar os mineiros não era nenhuma novidade e já havia sido usada em outras partes do mundo.

NASA_0Mas quem dominava a tecnologia? Quem possuía a experiência de tentar resolver grandes problemas ocorridos em espaços físicos muito pequenos? Quem assistiu Armagedon e Apollo XIII sabe a resposta: NASA.

A agora famosa cápsula usada no resgate, a Fênix II, é resultado de um projeto do engenheiro da NASA Clinton Cragg. A NASA também disponibilizou para o Chile uma equipe de 20 pessoas, dentre eles médicos, psicólogos e nutricionistas.

Milagre? Apesar dos mineiros, e de uma grande parte dos chilenos, acreditarem fervorosamente que sim, a resposta é não. Tratou-se de uma aliança estratégica entre a rapidez administrativa e política do presidente Piñera e o conhecimento e a experiência da equipe mais preparada para uma situação como essa.

O que poderíamos esperar dos mineiros? Que eles entendessem a importância de uma equipe como a da NASA? Seria esperar um pouco demais de uma cultura extremamente hierarquizada, muito mais do que no Brasil, onde o papel do pai é venerado, e ao mesmo tempo intensamente religiosa no que concerne ao cristianismo, mais um presentinho da colonização.

mineiros-milagresPara muitos chilenos, o fato de ser 33 o número de chilenos soterrados, ligado ao dogma cristão de ser 33 a idade em que Jesus teria morrido – apesar dos cristãos propositalmente ignorarem o fato, sabe-se que Jesus não tinha 33 anos quando foi crucificado – , foi mais que suficiente para trazer à tona uma religiosidade acima da considerada normal.

Mas voltando à realidade da qual muitos tentam usar a religião para fugir, o fato é que não se tratam de 33 mineiros. A empresa San Esteban possui cerca de 300 mineiros trabalhando em situações precárias e muito semelhantes às dos mineiros resgatados. O descaso com esse tipo de atividade estava presente no Chile quando tudo aconteceu. E não se trata de algo recente.

Logo no dia seguinte ao resgate um mineiro morreu soterrado em Val Paraíso. Esse homem não teve nem sequer 1% da atenção que os 33 tiveram. Por que? Por acaso as péssimas condições de trabalho e o descaso com a segurança da mineração foram resolvidos no Chile?

Bem, o Chile fez o dever de casa:

  • Seus novos heróis todos salvos. Com todas as devidas “homenagens” (1 IPod para cara um? Ora Sr. Jobs, não serve nem pra usar como telefone caso algum deles fique soterrado novamente);
  • Piñera reverteu extremamente seu problema de popularidade;
  • Chile deu o exemplo ao resto do mundo.

 

Basta saber o que acontecerá com os heróis quando a fama acabar rapidamente e tiverem que voltar ao trabalho…

Mas e quanto à atividade de mineração no resto do mundo?

Infelizmente a situação piora. Sem entrar em detalhes, vale a pena mencionar a realidade chinesa. A propósito, fica fácil de entender porque a China foi a única grande nação a não transmitir a operação de resgate chilena (em conjunto com os EUA é claro).

Enquanto escrevo este post a China anuncia que são escassas as chances de encontrar 11 mineiros presos numa mina de carvão na província central de Henan. Como se não bastasse, ano passado foram 2.631 mineiros mortos em toda a China. Como já conhecemos a fama chinesa, fica fácil concluir que esse número não seria o real.

O que fazer então?

Minas_JohannesburgCaso as nações e as empresas de mineração quisessem utilizar o caso recente dos “33 heróis do Chile” como um marco para uma mudança de conscientização desse segmento de trabalho, existe ao menos um referencial a ser seguido: trata-se de uma mina de ouro subterrânea, localizada na área de Witwatersrand, em Johannesburg, onde os trabalhadores trabalham em total segurança em profundidades de até 4 quilômetros, perfurando novos túneis até aproximadamente 8 quilômetros (para saber mais, clique aqui).

Como em vários outros segmentos, falta apenas vontade administrativa, política e financeira para investir em segurança, em proteção da vida. Mas esse “apenas” é mais complexo do que aparenta. Infelizmente a proteção da vida, não apenas a vida humana, é uma das consequências de uma série de processos e valores que ainda não conhecemos na teoria e não vivenciamos na prática. É mais um item pertencente à nossa continuidade incerta.

domingo, 10 de outubro de 2010

Velocidade da Luz

Velocidade_luz1Alguns fatos sobre nossa realidade, se pensados detalhadamente, possuem propriedades e características suficientes para pensarmos sobre nós mesmos e o lugar onde vivemos. Quando me refiro ao lugar onde vivemos, quero chamar a atenção para um planeta e seu ecossistema, o universo. Um desses fatos, extremamente importante, altamente despercebido, e altamente intrínseco no modo com que vivemos, é a luz e sua surpreendente velocidade: 300.000 quilômetros por segundo.

Pensar em números grandes é muito difícil para nós. Por isso temos que usar referenciais para termos uma idéia melhor de uma velocidade como essa. Um dos exemplos mais eficientes é entender a velocidade da luz ao pensarmos que a mesma é suficiente para dar 7 voltas no planeta Terra em apenas 1 segundo.
Muito rápido? Como disse Einstein, isso é relativo.

A luz só viaja a 300.000 quilômetros por segundo no vácuo. Quando viaja por meios diferentes, ela tem sua velocidade alterada. Como por exemplo, na água, onde por isso podemos visualizar a curvatura e a refração da luz.

Nossos olhos funcionam de acordo com essa mudança de velocidade em que a luz viaja em diferentes materiais. Se não fosse assim veríamos apenas bolhas claras e escuras.

O fator de atraso se deve ao fato de que a luz é absorvida pelos átomos que compõem os materiais pelos quais ela atravessa. Uma vez absorvida por esses átomos, fazendo-os vibrar, ela é irradiada novamente.

Ao passar pelos átomos do vidro existe a curvatura da luz, onde a mesma pode ser direcionada e ampliada, causando o fenômeno que você percebe ao usar uma lente de aumento. É justamente esse fato que torna possível a utilização de telescópios, onde passamos a observar a luz numa outra escala: a astronômica. E é aí que a tal velocidade da luz se torna extremamente indispensável.

Na superfície da Lua, a 380.000 quilômetros da Terra, os astronautas demoravam 1,3 segundos para receber uma mensagem. E mais 1,3 segundos para que a resposta chegasse na Terra. Entre uma pergunta e uma resposta, sem levar em conta o tempo para pensar, eram gastos 2,6 segundos.

Aumentando um pouco a distância, a luz do Sol demora pouco mais de 8 minutos para alcançar a Terra. Se o Sol fosse engolido por um buraco negro teríamos ainda 8 minutos antes de nosso planeta, e todas suas formas de vida, começarem a desaparecer.

Continuando a aumentar as distâncias, a comunicação entre a Terra e as sondas que exploram Marte demora 44 minutos para chegar até lá. E mais 44 minutos para que a resposta chegue novamente aqui.

Para se comunicar com a sonda Cassini, em órbita de Saturno, são mais de 3 horas para que a mensagem a alcance. E, para alcançar a Voyager I, a sonda mais distante já enviada pelo homem, hoje a 16.000.000  (milhões) de quilômetros de distância da Terra, que está saindo agora do sistema solar, a mensagem leva 29 horas para atingir o alvo.

Nessas distâncias, a luz, mesmo viajando a 300.000 quilômetros por segundo, já não se mostra tão eficiente. Para piorar, em escalas cósmicas, como veremos, essas distâncias ainda são infinitamente ridículas.

Que tal tentarmos enviar uma mensagem para a estrela, ou o Sol, mais próximo do nosso sistema solar? Trata-se de uma estrela anã-vermelha chamada Próxima Centauri, aproximadamente 40.000.000.000.000 (trilhões) de quilômetros de distância.

Perceba que aqui nosso cérebro já não processa a informação referente à distância. Ou seja, já são números dos quais não temos noção. Deste ponto em diante não é mais viável falar em quilômetros para citarmos planetas, estrelas, galáxias, aglomerados de galáxias , superaglomerados e grandes filamentos. A medida a ser usada passa a ser a velocidade da luz, que equivale a mais ou menos 9 trilhões de quilômetros, distância percorrida pela luz em um ano numa velocidade de 300.000 quilômetros por segundo.

A estrela mais brilhante em nosso firmamento é sem dúvida Sirius, que está a 8,6 anos-luz de distância. Isso quer dizer que a luz, viajando a 300.000 quilômetros por segundo (sempre lembre que nessa velocidade a luz consegue dar a volta na Terra 7 vezes em 1 segundo), demoraria 8,6 anos, ou mais ou menos 3.139 dias, para alcançar Sirius. Enfim, devido a essa "demora", à lentidão com que a luz viaja pelo espaço, quando olhamos Sirius no firmamento, não a vemos como ela é hoje e sim como ela era há 8,6 anos atrás. Nesse caso, podemos até estar vendo Sirius mas, neste momento, em tempo real, ela pode nem mesmo existir mais.

Betelgeuse_Sol

A mesma coisa ocorre com a estrela Vega. Só conseguimos vê-la como ela era há 25 anos atrás. E a imensa Betelgeuse (que possui mais ou menos 900 vezes o diâmetro do nosso Sol, conforme imagem acima)  como era há 500 anos atrás.

Ao mesmo tempo, essa lentidão da velocidade da luz nos permite enxergar o passado, possibilitando observar e compreender cada vez mais quais os processos que fizeram com que o universo chegasse até este ponto em que nos encontramos. Isso seria impossível se a luz viajasse instantaneamente. Com isso já conseguimos enxergar o universo como ele era há mais de 13 bilhões de anos atrás. O universo ainda engatinhava.

Mas o que podemos ver além disso no passado do universo? Não. Aqui existe uma barreira. Uma barreira imposta pela própria velocidade da luz. Mas do que se trata essa barreira?

O universo teve início cerca de 13,75 bilhões de anos atrás. Isso significa que o mais distante que podemos enxergar no espaço, em qualquer direção, é 13,75 bilhões de anos-luz. Não houve tempo suficiente para a luz viajar mais do que isso. Trata-se do horizonte cósmico da luz, uma esfera de 13,75 bilhões de anos-luz, contendo tudo que vemos. Será que o universo termina aí?

Não temos razões para acreditar nisso. É muito provável que o universo seja muito maior do que isso. Mas, independente disso, os astrônomos da Terra estão "presos". Não podem ver além do horizonte cósmico da luz.

Einstein mencionou que a velocidade da luz é o limite de velocidade para qualquer coisa que viaje pelo espaço. De fato as equações da física mostram que distorções muito "estranhas" - como o espaço se dobrando sobre si mesmo (a famosa "dobra espacial" de "Jornada nas Estrelas") - começam a acontecer com objetos que chegam a 99,99% da velocidade da luz. Mas, algo supera ou já superou a velocidade da luz? Sim.

As evidências mostram que, após o big-bang, o universo passou por um período chamado "inflação", período esse responsável pela estranha homogeneidade existente hoje em todo o universo. 

A chamada "inflação", que seria de fato o big-bang que observamos hoje através da radiação cósmica de fundo, ou seja, um segundo big-bang, foi uma fase onde tudo foi arremessado em todas as direções numa velocidade muito superior à da luz. Podemos concluir com isso que o espaço em si pode se expandir mais rapidamente do que a velocidade da luz, mas tudo que está confinado nesse espaço não pode ultrapassar a velocidade da luz, conforme a teoria da relatividade especial de Einstein.

Como o universo hoje encontra-se em expansão, galáxias se afastam umas das outras tão rapidamente que violam a velocidade da luz. Veja que é o espaço que se expande e não as galáxias que se movem. Vale lembrar que as galáxias estão contidas no espaço que se expande, como se fossem manchas numa bexiga que está sendo sendo cheia.

Essa expansão, ocorrendo mais rapidamente que a velocidade da luz, estipula outro limite: as galáxias que nunca veremos. Tais galáxias tiveram início há tanto tempo que a luz proveniente delas nunca nos alcançará porque o espaço está se expandido mais rapidamente do que a velocidade da luz.

Enfim, se estamos limitados ao horizonte cósmico da luz, o que há para ser observado e explorado dentro desse horizonte? Temos idéia disso?

Hubble_ultra_deep_field (1)

Pense no seguinte fato: o campo ultra-profundo do telescópio Hubble (conforme imagem acima) é uma foto repleta de detalhes de uma área do nosso céu, 100 vezes menor do que uma lua cheia, que contém em torno de 10.000 galáxias.

Vale a pena lembrar que nossa galáxia, com seu tamanho aproximado de 100.000 anos-luz de uma ponta à outra, pode conter cerca de 400 bilhões de estrelas (sóis). Se pensarmos então na galáxia IC-1011, com seu tamanho 60 vezes maior que a nossa, cerca de 6 milhões de anos-luz de uma ponta à outra, imagine, se puder, quantas estrelas (sóis) ela pode conter.

Enfim, a velocidade da luz, para nós, é tão absurdamente rápida que é praticamente impossível pensar nisso. Mas para o universo é uma velocidade extremamente desanimadora. Mesmo se, no futuro, conseguíssemos construir uma nave espacial que viajasse na velocidade da luz, não conseguiríamos ir praticamente a lugar nenhum. Espero que ao menos a velocidade da luz seja mais um dos elementos que ajude a mostrar o quanto somos minúsculos e imperceptíveis numa escala astronômica. Mais um motivo para a humildade da qual tanto precisamos para continuar a existir nessa imensidão.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dilma não é Lula

TiriricaComo não escrever mais um pouco sobre política? Se a proposta deste blog é registrar algum tipo de reflexão, acho razoável escrever um pouco sobre os resultados das eleições de hoje, pois os mesmos podem nos mostrar algumas coisas sobre nós mesmos.

Se por um lado a derrota de Lula, não elegendo sua candidata logo no primeiro turno, mostra que as pessoas parecem estar pensando mais, por outro lado, a eleição de Tiririca e Garotinho como os deputados federais mais votados do Brasil mostram que as pessoas deixaram de fato de pensar.

O que acontece então? Difícil saber e cedo para arriscar um palpite. Mas creio que posso fazer algumas observações.

Ao não eleger Dilma logo no primeiro turno, Lula sofreu um duro e pesado golpe. De fato é assim que ele preferiu não aparecer e assim não vincular sua imagem com esse fato. Lula hoje pensa que é Deus, ou alguém muito próximo a “Ele”. Ele mesmo se auto-proclamou “O cara do Cara” (este segundo “Cara” seria “Ele”). Sua alta popularidade fez esse e outros estragos com Lula e foi muito interessante, até mesmo aliviante, constatar que sua visão se si mesmo está muito além da realidade. Enfim, diferente do que ele pensa, sua palavra não é uma ordem.

Mercadante foi outro golpe duro no trabalho de cabo eleitoral de Lula. A certezas de Lula não são as certezas de todos. Mais uma vez, um alívio.

Durante o horário de propaganda eleitoral fui muito surreal assistir Mercadante dizer que os deputados e senadores do PT não falavam uma coisa e faziam outra. Oras, ele mesmo tinha feito isso recentemente ao ter pronunciado em cadeia nacional que, frente à postura de Lula e do PT a respeito do escândalo Sarney, ele renunciaria ao Senado e ao PT e, após uma conversa com Lula, voltou à imprensa e mudou de idéia. Bem, pelo visto, nem todos esquecem.

Ainda para complementar a frustração com Mercadante, Lula ainda teve o desprazer de ver Aloysio Nunes como o senador mais votado para São Paulo. Mas nem tudo é decepção para ele uma vez tendo elegido Marta como segunda senadora.

É muito provável que Dilma acabe superando Serra no segundo turno. A possibilidade é bem grande. Mas o que quero destacar aqui é que alta popularidade não atribui a ninguém a capacidade de prever e de concretizar a realidade como se deseja. Isso seria apenas megalomania, típica de um cara que se acha “O cara do Cara”.

Mas o que leva Tiririca a ser o deputado federal mais votado do país? Será que o exemplo de um toneiro mecânico ter chegado à presidência está sendo levado ao extremo pela população e passaram então a acreditar que quanto mais intensamente despreparado estiver o candidato melhor será para o povo?

Pude assistir a um analista político questionando a si mesmo se esses votos seriam de protesto ou se ainda teriam uma intenção mais inteligente por trás. Mas infelizmente essa é uma possibilidade muito remota. A possibilidade com mais base na realidade é que seriam mesmo votos “burros”, de eleitores completamente despreparados, muitíssimos mal informados e sem qualquer noção temporal de causa e efeito, ação e reação, fato e consequência. “Pior que tá não fica”?. Ficou. E muito.

Além do congresso passar a conviver com alguém que assume publicamente que não tem a mínima idéia do que faz ou deveria fazer um deputado, com mais de um 1.300.000 votos, Tiririca acaba levando junto com ele para o congresso outros vários deputados que nem chegaram a aparecer na propaganda política, que também não possuem qualquer conhecimento administrativo e que, inclusive, chegaram a pertencer ao esquema do mensalão do PT. Será que os eleitores de Tiririca também tinham essa noção?

Seria Tiririca a constatação de que passou a ser “legal” contratarmos, para um determinado cargo ou função, justamente a pessoa que diz que não tem a mínima idéia de como cumprir tal função? Você faria isso em sua empresa ou negócio? E ainda levaria, de brinde, outros vários com o mesmo perfil e ainda criminosos? Talvez você não cometeria um ato de ignorância e burrice dessa magnitude. Mas mais de 1.300.000 (um milhão e trezentos mil) brasileiros o fizeram. Isso mostra alguma coisa sobre nós? Com certeza.

Mas isso é tudo? Seria esse o único sinal de que tem algo errado conosco? Antes fosse. Mas e a eleição de Antony Garotinho como deputado federal? Trata-se do segundo candidato mais votado para essa função. E ainda tem gente que diz que o crime não compensa?

Garotinho foi preso e está respondendo a dois processos por crimes como formação de quadrilha, desvio de dinheiro público, rombo financeiro após seu governo no Rio de Janeiro, uso abusivo e irregular da força policial também no Rio de Janeiro e diversas outras irregularidades. De forma que chega a me assustar, mesmo com a polêmica (deveria ser polêmica?) questão da “ficha limpa”, Garotinho conseguiu uma liminar de um juiz que deu a ele o direito de concorrer à eleição para deputado federal. E de forma que me assusta mais ainda, foi o segundo deputado mais votado, perdendo apenas para o palhaço. Como explicar essa preferência do eleitorado por esse perfil?

É claro que essas poucas informações, aliadas ao cenário político como um todo, e a todas as questões que surgem dessa realidade ampla e obscura, é assunto para vários livros e não para um simples post. Mas quero concluir opinando que os assuntos abordados neste post mostram problemas gravíssimos nas duas pontas: problemas com o eleitor e com os candidatos. Mas um problema não seria apenas consequência do outro? Ambos não se retroalimentam?

Vejam, o que é preciso para trabalhar numa empresa do governo? O que eu preciso fazer para vir a trabalhar em empresas como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal? Oras, preciso aguardar a publicação de abertura de vagas e me inscrever para um concurso público? Ou seja, para que eu consiga a vaga pretendida, para ser um funcionário público, eu preciso provar, através de várias provas, com várias matérias e modalidades, que estou bem preparado para cumprir tal função. E não basta eu estar preparado, tenho que ser um dos mais bem preparados. Mas isso bastaria? Claro que não.

Eu conseguiria a vaga, mesmo sendo um expert, tendo ficha suja, ou melhor, tendo antecedentes criminais? Ou eu conseguiria a vaga tendo o nome sujo no SPC ou no SERASA? Eu seria considerado “confiável”? Enfim, como acham que empresas como o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica chegaram aos patamares atuais se não existissem tais critérios para seus funcionários públicos?

Mas e quanto aos funcionários das câmaras municipais, do governo estadual, do congresso e senado federais e do planalto? Não são funcionários públicos também? E por que nesse caso podem entrar analfabetos e criminosos para trabalhar? Qual seria a diferença que justificaria isso?

Até quando será assim? Quando as candidaturas a cargos políticos (funcionários públicos como do BB e da Caixa) serão aprovadas apenas para pessoas sem antecedentes criminais? Quando tais candidaturas, após terem passado pela peneira policial, passarão a ter suas aprovações sujeitas a provas e exames do mesmo nível aplicado hoje pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica? Por que não se investe nesse sentido?

Será que esse tipo de mentalidade e atitude então exigiriam uma mudança agressiva na qualidade da educação no Brasil como um todo? E será que esse investimento maciço na educação nacional, com o passar do tempo, não eliminaria totalmente a existência de um perfil de eleitor que hoje vota no Tiririca e no Garotinho? Será que um investimento maciço na educação, ao longo do tempo, não acabaria substituindo uma realidade precária existente hoje nas “duas pontas” (eleitor e candidato) por uma realidade política-educacional amplamente mais madura e responsável?

Bem, as respostas a tais questionamentos são puramente óbvias. E, para nossos legisladores, investir na qualidade da educação ao longo do tempo é o mesmo que admitir o fato de perder a “boquinha”. Uma decisão muito difícil para eles. Tanto é que nunca o fizeram. Enquanto isso vamos assistindo a continuidade do declínio, pois pior do que “tá” fica sim.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eleições 2010

Não tenho a pretensão de acreditar que entendo de política. Mas também não sou totalmente cego, surdo e mudo. Para aqueles que, como eu, tentam exercitar os “músculos cerebrais” sempre que possível, é possível perceber algumas obviedades do nosso cenário político, até mesmo porque os “gênios” que compõem esse cenário deixaram há muito tempo de ser tão geniais assim e, tendo em vista a qualidade atual de nossos políticos, essa “ciência” já não é mais tão complexa quanto antes.

Por essa razão não vou escrever sobre política visto que não é o meu foco. Mas, com o intuito de tentar contribuir humildemente com os eleitores que também tentar exercitar seus “bíceps e tríceps cerebrais”, resolvi colocar aqui um tipo de informação que, tendo em vista a qualidade de sua fonte, considero de suma importância compartilhar com o leitor e eleitor que passar por eeste blog.

OLulismoNoPoderPara isso, trago aqui para este blog uma entrevista feita com o jornalista Merval Pereira no programa Espaço Aberto Literatura da Globo News, onde o colunista do jornal O Globo fala sobre seu novo livro intitulado O Lulismo no Poder.

Antes de mais nada é preciso apresentar ao leitor o jornalista Merval Pereira: colunista do veículo O Globo, comentarista da Globo News e da rádio CBN, premiado pela Universidade de Columbia de Nova York com a condecoração denominada “Maria Mars Cabot”, por ter atuado em meio às adversidades da ditadura militar e ajudado a população brasileira a entender o significado da última eleição norte-americana vencida por Barack Obama.

Como não consegui inserir diretamente o vídeio aqui no blog, segue então o link para a entrevista de Merval Pereira transmitida pela Globo News. Espero que seja um eficiente instrumento de reflexão e que ajude o leitor a ter mais base e referências para suas escolhas…


Merval Pereira reúne artigos de O Globo no livro "O Lulismo no Poder" - O jornalista analisa oito anos do petista na Presidência da República.

 

Entrevista_MervalPereira

Entrevista:

Para assistir a entrevista na íntegra clique aqui.