terça-feira, 31 de agosto de 2010

Inteligência Extrema? Não. Mera curiosidade…

É bem curioso como várias pessoas acreditam que escrever sobre certos assuntos é sinal de extrema inteligência. Digo isso porque, por várias vezes, fui erroneamente confundido com alguém muito inteligente devido a alguns textos postados aqui. Mas seria mesmo inteligência?

Não. Temos todos graus de inteligência muito semelhantes. Capacidades muito próximas de realização. Talvez o diferencial aqui, o qual é comumente confundido com inteligência extrema, seja apenas a curiosidade.

Se um de nossa espécie acordasse de repente num lugar estranho ou desconhecido normalmente se perguntaria: onde estou? Como vim parar aqui? De onde eu vim? E para quero ir? Do que vou precisar para ir onde preciso? E quais ferramentas tenho à disposição para conseguir chegar lá?

Essas perguntas surgiriam de uma mistura entre fatores como sobrevivência e curiosidade. Mas e quando você está aqui na sua cidade, no seu dia-a-dia cada vez mais corrido, estudando e trabalhando cada vez mais para chegar a algum lugar? Nesse caso a curiosidade tem algum sentido? Existe espaço para ela? De todas as pessoas que conhecemos, quantas pessoas já se perguntaram onde estamos, de onde viemos, para onde vamos e que meios temos para isso?

Não creio que foram muitas. Por experiência própria, posso dizer que tais perguntas, no momento quase naturalmente insano em que vivemos, para surgirem, precisam ser “causadas”, ou seja, só acabam aparecendo em nossas mentes caso algo bem marcante aconteça em nossas vidas. E, caso acontecça, é muito provável que a curiosidade ganhe algum espaço nessa loucura toda.

Quando a curiosidade passa a fazer a parte de uma pessoa, em meio a tantas e tantas em que a curiosidade praticamente é uma característica em extinção, tal pessoa passa a querer entender algumas coisas sobre sua realidade. Essa necessidade leva a pessoa a colidir com certos assuntos que, para as pessoas nada curiosas, soam como assuntos estranhos. Mas na verdade são assuntos e temas que estão e sempre estiveram ao nosso redor e do qual , curiosamente, somos consequência.

A curiosidade hoje em dia é vista cada vez mais como uma coisa bem estranha, quando, na verdade, mais curioso ainda é não tê-la. Ser curioso é ser diferente. É bem provável que na história de nossa espécie neste planeta não tenha sido sempre assim. Mudamos muito. Mesmo sabendo cada vez menos sobre nós mesmos estamos cada vez mais satisfeitos com o que sabemos. Infelizmente a satisfação mata a curiosidade.

Enfim, perguntar, pesquisar, falar e escrever sobre alguns temas cujos não-curiosos acham estranhos não é sinal de inteligência extrema. É apenas a prova de que vida curiosa ainda existe no universo, mesmo que já em risco de extinção.

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